Blog da euroClinix sobre sáude    Todos empenhados pela sua sáude

A depressão afecta a sua vida sexual?

Postado a: Saúde Geral 05 Dec, 2013

Portugal é o país da Europa com maior taxa de depressão e o segundo no mundo, estimando-se que cerca de um em cada cinco portugueses sofre desta doença. A depressão manifesta-se por sintomas emocionais como a tristeza, o desânimo e a falta de interesse e em alguns casos por sintomas físicos como a dor, as alterações no sono, a falta de energia e a fadiga, tendo um forte impacto na vida profissional e pessoal do doente, incluindo na sua sexualidade.

Os especialistas estimam que cerca de 70% das pessoas com depressão irá experienciar disfunção sexual, sendo nos homens com esta condição a taxa de disfunção eréctil entre os 23 e os 50%.

Os problemas sexuais como a disfunção eréctil ou a incapacidade de atingir o orgasmo são frequentes nas pessoas com depressão, pelo que este factor deve ser avaliado durante o diagnóstico quer da disfunção sexual masculina, quer da disfunção sexual feminina.

Relação entre depressão e problemas sexuais

O processo de excitação sexual inicia-se no cérebro, devendo este ser considerado um órgão sexual sensível a estímulos. Durante a estimulação são libertados neurotransmissores que aumentam a comunicação entre as células do cérebro e motivam o fluxo sanguíneo para os órgãos sexuais. Na depressão, ocorre um desequilíbrio destes neurotransmissores e as mensagens não são captadas pelo cérebro de forma correcta, o que leva a sintomas como o baixo desejo sexual, os problemas de erecção e a incapacidade em atingir o orgasmo.

Quais as diferenças entre homens e mulheres?

Nos homens, a perda de desejo sexual causada pela depressão pode levar à disfunção eréctil, que por sua vez pode desencadear um ciclo vicioso de ansiedade, contribuindo para que a performance sexual se agrave.

Nas mulheres, a depressão pode levar à incapacidade em iniciar ou apreciar o sexo, à baixa libido e à dificuldade em atingir o orgasmo. A menopausa é um exemplo da relação entre a depressão e a sexualidade no sexo feminino. As mulheres na menopausa estão mais susceptíveis à depressão, pelo que as alterações no desejo e actividade sexual são comuns neste grupo. Algumas das alterações físicas e hormonais das mulheres durante a menopausa podem determinar a libido da mulher e a forma como esta se empenha no sexo.

Por outro lado, tanto os homens como as mulheres com depressão têm uma maior probabilidade de ter comportamentos de risco relativamente à sua sexualidade, como sexo desprotegido ou com múltiplos/as parceiros/as.

Qual o impacto dos tratamentos antidepressivos?

Por vezes a solução faz parte do problema e se por um lado os antidepressivos têm um efeito positivo na depressão e na qualidade de vida em geral, por outro, os antidepressivos modernos, em particular os inibidores selectivos da recaptação de serotonina (ISRS), são um dos factores responsáveis pela disfunção sexual dos pacientes que os tomam. Um dos efeitos mais comuns é a diminuição do desejo sexual e a dificuldade ou a não obtenção de todo do orgasmo, quer em homens, quer em mulheres. Quanto maior a dose do medicamento, maior tende a ser o grau de disfunção eréctil.

Estes efeitos levam a que muitas vezes os pacientes interrompam o tratamento, o que por sua vez agrava o ciclo depressão-disfunção sexual, levando à ocorrência de recaídas. A solução passa por discutir as diferentes opções terapêuticas com o médico assistente, podendo ser necessário um ajuste de dose ou a substituição por um medicamento antidepressivo diferente, cujo impacto na vida sexual seja menor.

Insira o seu comentário
  • O seu nome:*
  • O seu email:
  • O seu comentário:*
Continue lendo
Descubra as categorias do Blog euroClinix
Discover more
Com a pandemia de gripe H1N1 no Brasil, afetando em maior proporção o... Continue lendo
O Brasil tem visto um salto repentino nos casos do vírus H1N1, popularmente... Continue lendo
Tamiflu, medicamento que combate o vírus influenza, também conhecido como... Continue lendo