Sialorreia

A sialorreia ou hipersalivação caracteriza-se por uma produção de saliva em excesso e é um problema comum em crianças com problemas neurológicos como a paralisia cerebral e em adultos com danos neurológicos provocados pela doença de Parkinson ou AVC.

A saliva é secretada pelas glândulas salivares major (parótidas, submandibulares e sublinguais) e pelas glândulas salivares minor presentes na cavidade oral. Diariamente são produzidos aproximadamente 1,5L de saliva, cujas funções incluem regular o pH oral, manter a homeostase oral e ajudar na higienização da boca. As propriedades bactericidas e bacteriostáticas da saliva permitem também manter a saúde dentária e diminuir o odor bucal, enquanto serve de lubrificante durante a mastigação e deglutição.

A sialorreia ou hipersalivação é definida pela presença de saliva para além da margem do lábio e é comum em bebés. Porém, normalmente a criança baba apenas até aos 15-18 meses de idade, sendo normal ganhar controlo a partir desta idade. A salivação em excesso em crianças com mais de 4 anos é geralmente considerada patológica e tem um forte impacto na qualidade de vida.

Quais as causas da sialorreia?

A sialorreia pode ser causada pela fraqueza ou falta de controle nos músculos da face, língua, boca ou garganta, tornando difícil a deglutição de saliva, mesmo que esta seja produzida numa quantidade normal. Existem também condições de saúde ou medicamentos que aumentam a produção de saliva, como o refluxo gástrico e o uso de tranquilizantes ou anticonvulsivantes.

A causa mais comum em crianças com paralisia cerebral é a disfunção neuromuscular, bem como em adultos com doença de Parkinson. Em circunstâncias normais, é possível controlar a hipersalivação pela deglutição, porém, no caso de disfunção sensorial o organismo não consegue reconhecer a hipersalivação e no caso de disfunção motora, não consegue controlar o excesso de saliva produzida, não permitindo que esta seja deglutida.

Embora menos comuns, os problemas anatómicos como a macroglossia (língua aumentada), e a incompetência labial podem levar à hipersalivação. Da mesma forma, intervenções cirúrgicas na cabeça e pescoço podem também provocar esta condição.

Outras causas geralmente responsáveis por sialorreia temporária incluem gravidez, doença hepática, infecções orais, úlceras orais, intoxicação por metais pesados e radioterapia.

Quais as complicações e riscos da hipersalivação?

A hipersalivação pode levar a fissuras labiais e na pele, odor e infecção da boca. Particularmente nas crianças com problemas mentais, a sialorreia pode reduzir a qualidade de vida e causar perturbações no sono. Em casos severos, a salivação em excesso pode conduzir a desidratação e convulsões, tornando-se fatal.

Como tratar a sialorreia?

O impacto da sialorreia na qualidade de vida do paciente é o principal factor a ter em conta no que diz respeito à administração de tratamento. Contudo, a gravidade da hipersalivação pode ser avaliada com um sistema para a severidade da salivação numa escala de 5 pontos e a frequência da salivação numa escala de 4 pontos.

Severidade Pontos
Seca (sem babar) 1
Ligeira (lábios húmidos) 2
Moderada (queixo e lábios húmidos) 3
Severa (roupa molhada) 4
Abundante (roupa, mãos e objectos molhados) 5

Frequência Pontos
Sem babar 1
Baba às vezes 2
Baba frequentemente 3
Baba constantemente 4

Este sistema é particularmente útil para avaliar a eficácia do tratamento na qualidade de vida do paciente.

No caso de problemas ligeiros de salivação excessiva em crianças com menos de 4 anos ou em adultos com problemas na função neurológica, pode ser adoptado um programa alimentar que vise melhorar o controlo oromotor. Se estiverem presentes problemas funcionais que possam ser corrigidos, como má-oclusão e incompetência labial, esta correção deve ser feita antes de serem adoptados outros tratamentos.

A terapia pode também permitir um melhor controlo da saliva por fortalecer os músculos da face e corrigir a postura, impedindo a perda de saliva e podendo ser combinada com técnicas de reforço positivo e negativo em pacientes com doença neurológica moderada.

Nos casos em que as medidas descritas acima tenham revelado poucos resultados, devem ser considerados outros tratamentos como medicação, radioterapia ou terapia cirúrgica.

Medicamentos

Os medicamentos com efeito anticolinérgico bloqueiam a inervação parassimpática das glândulas salivares, permitindo controlar a produção de saliva. Um dos medicamentos com melhores resultados no tratamento da sialorreia são os adesivos de escopolamina , cujos efeitos secundários parecem ser mais reduzidos do que os de outros anticolinérgicos. Contudo, este tipo de medicamentos está contraindicado em pacientes com glaucoma, problemas de motilidade intestinal, uropatia obstrutiva e miastenia gravis.

A injeção intragrandular com toxina botulínica, vulgarmente conhecida como botox tem também demonstrado efeitos ao nível da sialorreia, porém, a resposta ao tratamento demora aproximadamente cinco meses, o que pode dificultar a sua adesão.

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Radioterapia

Um dos efeitos da radioterapia é a xerostomia, que consiste na redução da produção de saliva. Esta opção de tratamento está normalmente indicada a pacientes mais velhos que não toleram a terapia com medicamentos ou não são candidatos aos procedimentos cirúrgicos.

Cirurgia

A remoção cirúrgica das glândulas salivares ou a destruição do seu controlo nervoso são normalmente utilizados como último recurso e em casos de sialorreia severos. A cirurgia normalmente envolve a ligação dos ductos da glândula parótida e a excisão da glândula submandibular, eliminando a sialorreia de forma permanente e total.

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